24/01/2008

A morte é burra

A virada do ano é algo que me deixa excitadíssimo. A partir das 21 horas do ultimo dia do ano sinto uma mistura de dever cumprido, de aflição, de tristeza – sim, sim sou melancólico- vontade de abraçar a todos e falar como foi o meu ano. Faltando 10 minutos para o ano chegar e nesta hora sou um verdadeiro vazio, me sinto um eco, vontade de gritar, um choro preso na garganta e a única coisa que consigo pensar é em agradecer pelo ano que tive e pedir saúde para o próximo ano. Faltando um minuto, pronto, torço pelo ano acabar e que cheguem os fogos e o próximo ano. Rezo baixinho e sinto toda aquela energia boa que cisma em estar por toda a parte, na minha pele aparecem saliências que vai do pé ao couro cabeludo.
O ano começou e um vácuo continua dentro de mim, penso em pessoas queridas, rezo por mim e por elas e agora é só curtir a festa.
Foi mais ou menos assim a minha virada, como todos os anos.
Esse ano em especial, não fui para a praia no dia seguinte, precisava voltar para casa e me preparar para a minha segunda viagem do ano (a primeira eu já estava viajando), aquela empolgação de malas, avião, lugar novo a conhecer.
Viajei no primeiro dia do ano pela segunda vez, chego ao meu destino e durmo... estava precisando.
No dia seguinte quando acordo tudo é novo e delicioso, abro os e-mails (pq abrir e-mails quando se viaja?) e me deparo com a noticia de uma morte.
Desencarnou, como assim? Um amigo com uma bagagem de duas décadas. A morte é burra!
O ano começando e ela correndo pelos quatro cantos a querer levar uma pessoa que sonha, que sorri, que trazia no seu olhar a simplicidade de viver.
Aquele dia para mim foi estranho, estava em outro estado, a quilômetros de distancia da minha casa, mas algo em mim tinha mudado no primeiro dia. Como posso me divertir e saber que algumas pessoas no seu segundo dia do ano, estão chorando. Começando o ano com uma dor no peito, totalmente diferente daquele vácuo que senti na virada, E agora? Como será o ano para quem choras?
É claro que a minha viagem seguiu, e é obvio que eu aproveitei no que pude, afinal estava de férias. Mas algo dentro de mim mudou naquele dia.


Escrevendo este post, parei no tempo, pensei em tantas coisas, pensei no meu amigo que se foi, pensei em pessoas que nem o ano conseguiu ver chegar. Tudo é estranho, mas a que fim leva-me a pensar nisso. Eu mesmo respondo: Não sei.


E nessa ambigüidade que se transformou este post, no fim e no começo e é claro em um grande recomeço.
A vida é um baile de carnaval, você se cansa, você se diverte, você sorri, chora e depois daquele tempo em que ficava pulando, restam apenas às lembranças.
Pegue as serpentinas e os confetes, vista a sua melhor fantasia. O ano começou!
A morte pode até ser burra, mas a vida é uma festa.

3 comentários:

Luiza Mattos disse...

Gostei muito do que vc escreveu nego... e concordo muito com vc!

Anônimo disse...

Gostei do texto,infelizmente nao decidimos o destino,nem o nosso nem o dos proximos.
Lux pra vc!

Unknown disse...

Lindo Tot.... lindo!

Parabéns pelas palavras, e pela sensibilidade com que vc as trabalhou.

Sinto muito sobre o seu amigo.

Te amo.

Beijos da sua Tot.